A regra geral
A maioria das condições de saúde não impede o implante. Ela muda o preparo, o momento e o cuidado em volta do procedimento.
Por isso a avaliação começa com uma conversa sobre a sua saúde geral e sobre os remédios que você toma, e não apenas com o exame da boca. Quando é preciso, a dentista conversa com o seu médico antes de marcar qualquer coisa. Isso é sinal de cuidado, não de complicação.
Condições que pedem cuidado extra
Diabetes
Diabetes não é impedimento. O que pesa é o controle. Com a glicemia bem controlada e acompanhamento médico, o implante costuma ser possível. Descompensada, ela atrapalha a cicatrização e aumenta o risco de infecção, e aí o caminho é estabilizar antes.
Cigarro
Fumar não impede, mas é o fator que mais compromete o resultado. A nicotina reduz a circulação na gengiva e no osso, o que prejudica a cicatrização e a integração do implante. O risco de complicação é maior, e maior ainda quando há enxerto ósseo envolvido.
Vale conversar sobre isso com honestidade na consulta. Reduzir ou parar no período em volta da cirurgia muda a chance de dar certo.
Pressão alta e problemas de coração
São situações comuns nesta faixa de idade e normalmente compatíveis com o tratamento, desde que estejam controladas e com acompanhamento médico. O que precisa ser dito na consulta é quais remédios você toma, principalmente os que afetam a coagulação.
Anticoagulantes
Quem usa remédio para afinar o sangue não fica automaticamente de fora. O manejo é combinado com o médico que acompanha o caso. Nunca suspenda um remédio por conta própria antes de um procedimento odontológico.
Osteoporose e remédios para o osso
A osteoporose em si costuma ser contornável. A atenção maior recai sobre alguns medicamentos usados no tratamento de doenças ósseas, em especial os bifosfonatos e outros de uso injetável, que exigem avaliação cuidadosa e conversa com o médico. Leve o nome exato do remédio e há quanto tempo você usa.
Gengiva inflamada e dentes com infecção
Não é um impedimento, é uma etapa anterior. Colocar implante numa boca com doença de gengiva ativa é preparar problema para depois. Trata-se primeiro, depois se opera.
Bruxismo
Ranger ou apertar os dentes não impede. Pede proteção, normalmente uma placa, e um planejamento que leve em conta essa força a mais.
O que costuma impedir de verdade
As situações em que o implante realmente não é indicado, ou precisa esperar, são bem mais específicas:
- Doença grave descompensada, enquanto o quadro não estiver estabilizado.
- Tratamento oncológico em curso com radioterapia na região da cabeça e do pescoço, ou período próximo a ele. O momento é definido junto com a equipe médica.
- Uso de certos medicamentos para doença óssea, conforme a avaliação conjunta com o médico.
- Osso ainda em crescimento, em pessoas muito jovens.
- Impossibilidade de manter a higiene necessária, sem apoio de alguém. Sem higiene, o implante não se sustenta a longo prazo.
Repare que quase todos são "agora não" ou "não sem cuidado", e não um "nunca".
E a idade?
Idade não é contraindicação. Não existe um limite depois do qual a pessoa deixa de poder fazer implante. O que importa é a saúde geral, a condição do osso e a capacidade de manter a higiene depois.
Boa parte de quem faz prótese protocolo na clínica está justamente na faixa dos 50, 60 e 70 anos, e muitas dessas pessoas relatam que a diferença que sentem na mastigação e no convívio compensou a espera.
É comum a pessoa passar anos com a dentadura incomodando porque supôs, sozinha, que a diabetes ou o remédio do coração a impediriam. Perguntar custa uma consulta, e a resposta muitas vezes é diferente do que ela imaginava.
O que levar na avaliação
Para a consulta render, leve:
- A lista dos remédios que você usa, com nome e dose, ou as caixas.
- Exames recentes que você tenha, principalmente de glicemia se você tem diabetes.
- O nome e o contato do seu médico, se você faz acompanhamento.
- Radiografias antigas, se tiver.
- A sua dentadura ou prótese atual, mesmo que você não use mais.
Na Odonto Gline, a avaliação inclui exame de imagem e termina com um plano por escrito, para você levar e conversar em casa. Você não precisa decidir nada na hora.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui uma consulta. Cada boca é diferente, e só o exame clínico com imagem mostra o que serve para o seu caso.
Dra. Glidislene SalvadorCirurgiã-dentista responsável pela Odonto Gline, em Santa Maria, DF. Atende no mesmo endereço há 18 anos, com foco em implante dentário e prótese protocolo.